O Dia da Bandeira

Escrevi este artigo no Dia da Bandeira (19/11) de 2013. Por alguma razão que agora não consigo publicar, ele ficou como rascunho, ou draft, sem publicação. Relendo-o, achei-o razoável, razão pela qual eu o publico agora, com pequenas melhorias linguísticas e estilísticas.

o O o

Fico me lembrando dos meus dias de criança, no Grupo Escolar “Prof. José Augusto de Azevedo Antunes”, em Santo André, SP, nos dias 19 de Novembro. Na aula, a professora discorria sobre a importância da bandeira como símbolo nacional e explicava o significado das formas, das cores, do número de estrelas e da estrela maior da nossa bandeira, separada, do outro lado  da faixa. Detinha-se na frase “Ordem e Progresso”, esclarecendo seu significado, falando prematuramente sobre Positivismo para os pobres alunos. Num determinado momento, todos nos reuníamos, a bandeira era hasteada e era cantado o “Hino à Bandeira”, com letra escrita por Olavo Bilac e música composta por Franciso Braga. O hino foi apresentando pela primeira vez em 9 de novembro de 1906. Eis a letra:

HINO À BANDEIRA

Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza daPátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amados,
poderoso e feliz há de ser!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Muito tempo depois, quando fui estudar nos Estados Unidos (1967), fiquei surpreso com a devoção que os americanos tinham para com sua bandeira (carinhosamente apelidada de “Old Glory”). Eles a hasteavam em suas casas nos feriados nacionais. Muitos deles andavam com um button da bandeira em suas lapelas.

É verdade que com os protestos contra a guerra no Vietnam a bandeira sofreu perda de respeito e afeto. Muitos americanos chegaram a queimar sua própria bandeira em frente ao Capitólio e à Casa Branca.

Terminada a guerra, com um desfecho que teve sabor de derrota, a bandeira, meio desprestigiada, foi aos poucos reconquistando o carinho e o respeito dos americanos. Em especial em locais ono interior do país, conhecidos pelo seu conservadorismo, elas voltaram a aparecer, cheias da Velha Glória, na frente das casas em dias cívicos.

Aqui no Brasil, embora sempre tenha achado nossa bandeira bonita, nunca senti muito carinho por ela, exceto quando Ayrton Senna pegava uma bandeira e circulava com ela depois de uma vitória, ou quando algum esportista ou algum time brasileiro ganhava uma competição e se embrulhava na bandeira, ou, então, no Sete de Setembro, quando ela era hasteada no início das celebrações.

Quando a gente visita algum país estrangeiro, ou mora no exterior, e passa diante de algum prédio internacional, e vê a bandeira brasileira tremulando, a gente fica um pouco emocionado… Mas é alguma coisa momentânea.

Será que a existência desses símbolos nacionais, como bandeira, hino, brazão (armas), vão continuar ainda por muito tempo? Ou será que a globalização levará a uma internacionalização da vida a tal ponto que o nacionalismo e o patriotismo desaparecerão de vez?

Acabamos de ver um jogador, nascido no Brasil, cidadão brasileiro, convocado para a Seleção Brasileira e também para a Seleção Espanhola, optar por jogar por esta. Algumas pessoas chegaram a chama-lo de traidor, de calabar, etc., mas a maioria dos brasileiros parece ter achado natural e defensável a decisão dele.

Corredores de Fórmula 1 de vários países, inclusive os brasileiros (só nos resta o Massa) assumem residência em Mônaco, para pagar menos impostos. Há aqueles que adotam outra cidadania (mantendo ou não a brasileira) para se livrar de taxação abusiva.

No futebol (e até mesmo em outros esportes), troca-se de cidadania para poder jogar na seleção de outro país. Acredito que que Mazzola (apelido: nome de batismo José João Altafini), natural de Piracicaba, SP, foi o primeiro a fazer isso. Jogou na Seleção Brasileira campeã mundial de 1958, ficou famoso, foi contratado pelo Milan (depois passando pelo Napoli e pelo Juventus) e virou italiano, jogando, inclusive na Azurra, com o nome de Altafini. É o terceiro maior goleador all time na liga principal do futebol italiano.

Os países estão ficando mais tolerantes com dupla e tripla cidadania. Antes da atual Constituição, menores com dupla cidadania (por serem filhos de pais cidadãos de um país e nascerem em outro, como é o caso de minha filha Andrea, nascida nos EUA) tinham de optar por uma cidadania ao alcançar a maioridade. Hoje não. Minha filha (maior de idade, naturalmente) e suas filhas têm nacionalide americana e brasileira. Principalmente minha filha, que fala Português, tem no coração um “soft spot” para com o Brasil. As filhas dela, minhas netas, creio que não. Elas vêm aqui de vez em quando mas nem falam o Português, que a língua oficial de um dos países do qual são cidadãs…

Imagino que isso vá se tornar mais e mais comum em um mundo globalizado. As pessoas viajam mais, trabalham mais em países que não o seu, casam-se com pessoas de outros países, e isso vai fazendo com que o nacionalismo e o patriotismo arrefeça.

As pessoas vão ter várias lealdadas ligadas a diferentes locais geográficos. Sempre nascerão em algum lugar específico. Mas pode ser que logo se mudem para outro, e que venham a estudar num país, trabalhar em outro, casar-se com alguém de ainda um outro. Tenho um amigo brasileiro, casado com uma austríaca, que mora nos EUA. A filha deles é cidadã de três países e não tem maiores laços afetivos com nenhum deles. Casou-se com alguém que é cidadão de dois outros países. Seus filhos, quando os tiverem, e dependendo de onde nascerem, poderão ter opção de até seis cidadanias. Será admissível ser cidadão de seis países? Isso será quase equivalente a ser um cidadão do mundo (Weltburger). Mas que é conveniente, na hora de cometer um crime, certamente é, não é, Pizzolato?

Brasileiros vão de deixar de torcer por um time de futebol de seu país para torcer para o Barcelona ou o Milan — como o pessoal do Norte e do Nordeste brasileiro torcia para o Flamengo ou para o Fluminense ou para o Botafogo nos tempos de antanho.

Em Fórmula 1, há muito tempo torço pelos alemães – Schumacher, primeiro, Vettel, agora. O fato de Massa ser brasileiro não me significa absolutamente nada. Falta-lhe o carisma que sobrava em Senna e mesmo em Fittipaldi e Piquet. Barrichello só servia de piada, tristemente.

Em futebol, sou são paulino, mas gosto do Barcelona, do Milan, do Paris Saint Germain, do Porto. . .  Em futebol americano e beisebol torço pelos times de Pittsburgh, onde estudei, os Steelers e os Pirates. No basquete torcia pelos Boston Celtics — hoje não torço para ninguém. Em hóquei, pelo Pittsburgh Penguins e o Toronto Maple Leafs.

Em literatura, meus autores favoritos são Ayn Rand, Graham Greene, Mario Vargas Llosa e Isabel Allende. A primeira era russa, naturalizada americana; o segundo, inglês; o terceiro, peruano, mas com raízes na França, na Espanha, na Inglaterra e nos Estados Unidos; a quarta, chilena que viveu em vários países sul-americanos e hoje mora nos EUA, na California, casada com um americano.

Em política, admirei muito mais o Ronald Reagan e a Margareth Thatcher, dos EUA e do Reino Unido, do que qualquer político brasileiro de qualquer época — com a possível exceção, mais sentimental e intelectual, do Imperador Pedro II. Tenho uma enorme simpatia e admiração pela rainha Elizabeth II e certa fascinação pela rainha Victoria — ambas da Inglaterra. Houve um tempo em que nas casas reais da Europa, quase todos os soberanos eram descendentes da rainha Victoria e, portanto, parentes de grau bem próximo.

Falando especificamente do Brasil, sinto-me mais paulista do que brasileiro, mais preto, branco e vermelho do que verde e amarelo. Sinto-me em casa na pátria paulista, mas também me sinto totalmente em casa nos Estados Unidos e na Suíça. Como cidade, gosto de São Paulo, onde moro, de Campinas, onde morei cerca de 40 anos, e de Santo André, onde cresci dos 8 aos 18 — mas gosto mais de Genebra, onde, somando todo o tempo passado lá em inúmeras visitas, a trabalho e como turista, passei apenas cerca de um ano. Mas Genebra tem também a ligação emotiva com Calvino e a igreja reformada. E adoro Chaves, nos Trás-os-Montes, no Norte de Portugal, já perto ta Galizia . Chaves é uma cidade que vai fazer dois mil anos neste século 21. Carrego o seu nome entre meu sobrenomes. Com muito orgulho. Gosto também de Wintertur, na Suíça, perto de Zürich, cidade de onde vieram os Epprecht, família da Paloma no lado materno, cujo sobrenome adotei.

Enfim, sinto-me, aos setenta anos, de certa forma um cidadão do mundo, um Weltburger, que, se preciso, consegue morar e se sentir bem em diferentes partes do mundo. Acredito que as pessoas vão, mais e mais, se tornar assim, parcialmente desenraizados das cidades, dos estados (das províncias), dos países em que nasceram e enraizados, também parcialmente, em várias outras partes do mundo.

Quando o mundo se tornar assim, bandeiras não significarão grande coisa. Hinos, talvez, porque a música carrega componentes emocionais que um pedaço de pano não comporta. A conferir.

Em São Paulo, 19 de Novembro de 2013.

Slow… Quer dizer, Sem Pressa

Sem Pressa… (Da Folha de S. Paulo de hoje, 12/11/13).

Pais sem pressa

Movimento que prega a ‘desaceleração’ da rotina das crianças levanta debate sobre o excesso de atividades na infância

JULIANA VINES
DE SÃO PAULO

A infância se transformou em uma corrida rumo à perfeição, e as crianças, em miniexecutivos com agenda cheia de atividades. É o que argumentam os partidários do “slow parenting” (pais sem pressa), movimento que prega justamente o contrário: que as crianças tenham menos compromissos e mais tempo para fazer nada.

A ideia, que tomou corpo na Europa e EUA, ganha força aqui. Na semana passada, a primeira edição do “SlowKids”, evento em prol da desaceleração da rotina das crianças, levou 1.500 pessoas ao parque da Água Branca, em São Paulo.

Na programação, atividades nada tecnológicas: oficina de jardinagem, brincadeiras antigas e piquenique. “As crianças precisam desligar os eletrônicos e interagir mais com os pais”, diz Tatiana Weberman, uma das criadoras do projeto e diretora da agência Respire Cultura.

Segundo o jornalista britânico Carl Honoré, autor de “Sob Pressão” (Record, 368 págs., R$ 52), muitas crianças têm todos os momentos da vida agendados e monitorados.

“Elas têm dificuldades de serem independentes, ficam sob estresse e são menos criativas”, disse Honoré à Folha.

Ele foi o primeiro a usar o termo “slow parenting”. “Tudo começou quando a professora do meu filho disse que ele era um jovem artista talentoso’. Na hora, a visão de criar o novo Picasso passou pela minha cabeça”, conta.

No mesmo dia, ele começou a procurar cursos de arte para o filho de sete anos, até que o menino disse: “Pai, não quero ter um professor, só quero desenhar. Por que os adultos querem sempre cuidar de tudo?”.

O puxão de orelha fez com que ele voltasse atrás e começasse a pesquisar o superagendamento da infância. Segundo ele, tudo começa com a boa intenção dos pais. Mas a vontade de ser o pai perfeito transforma a educação em um jogo de tudo ou nada.

VIDA DE EXECUTIVO

Para a psicanalista Belinda Mandelbaum, professora do Instituto de Psicologia da USP, a educação de resultados antecipa o ensino de ferramentas para competir no mundo corporativo. “Vejo crianças aprendendo mandarim porque os pais acham ser importante para o futuro.”

Quando o empresário Marcelo Cesana, 38, diz não ter pressa de que o filho Caio, 1, aprenda a falar, a ler e a escrever, questionam se ele não vai ter dificuldade para trabalhar. “Me acham bicho do mato, mas não quero antecipar as coisas”, diz ele, que levou a família ao “SlowKids”.

A gerente de supermercado Vanessa Sheila Dias, 36, também foi ao evento com a filha Anne, 8. O domingo no parque faz parte da ideia de reservar um dia para fazer nada. “A rotina da semana é maluca, passo a ansiedade para a Anne”, diz ela, que já se pegou pedindo que a filha comesse um lanche de fast food mais rápido.

Anne não faz atividades extraescolares, assim como os filhos da psicóloga Patrícia Paione Grinfeld, 41.

“Outros pais me perguntam: Mas eles não fazem nada?’ Como se fosse algo errado! Não, não fazem, eles brincam”, conta a Patrícia. “Quero que crianças venham brincar com meus filhos em casa, mas todas são muito ocupadas, tem que marcar antes.”

As atividades extras não garantem que a criança vai aprender mais, diz Mandelbaum. “Muitas vezes, elas só aprendem a se adaptar a esse ritmo louco.”

O primeiro efeito da correria é a ansiedade, diz a neuropsicóloga Adriana Fóz, coordenadora do projeto Cuca Legal, da Unifesp. “A criança fica frustrada pelo excesso de atividades e pela falta [quando se acostuma à agenda cheia]. Fica entediada com mais facilidade.”

Não que toda atividade extra deva ser evitada, mas é preciso respeitar o tempo da criança. “Até os cinco anos os estímulos têm que ser mais naturais”, afirma Fóz.

De seis a 12 anos, é hora de aprender de forma mais sistematizada, diz ela. Aí é preciso conciliar o que os pais consideram ser importante com o desejo e as habilidades da criança, cuidando para que ela tenha tempo livre.

“O ócio estimula a criatividade e a curiosidade por temas e experiências diversas”, afirma a educadora e antropóloga Adriana Friedmann.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/138500-pais-sem-pressa.shtml

7 MANDAMENTOS DO SLOW

1 – SEM AGENDA
Crianças de zero a cinco anos não precisam de atividades estruturadas: devem aprender de forma livre

2 – MINIEXECUTIVO
Atividades extra escola podem ser ótimas quando ajudam exercitam a mente e o corpo. São ruins quando são exaustivas ou feitas só pensando no currículo profissional da criança

3 – DÊ OUVIDOS
A opinião da criança deve ser considerada na hora de escolher uma atividade

4 – MENOS, MENOS
Simplifique a agenda dos seus filhos, deixando tempo livre para brincar

5 – TÉDIO FAZ BEM
Deixar que as crianças fiquem entediadas é uma forma de fazer com que elas aprendam a ser mais criativas

6 – ÓCIO FAMILIAR
Reserve algumas horas na semana para “fazer nada” em família –conversar, jogar, cozinhar sem nenhuma programação prévia

7 – NOVOS AMIGOS
No parquinho, resista à tentação de brincar com a criança o tempo todo. Deixe ela brincar com outras pessoas

Fonte: Carl Honoré, autor de “Sob Pressão”

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/138501-7-mandamentos-do-slow.shtml

Comentários sobre Eclesiastes

Os dois comentários sobre Eclesiastes que comprei na Amazon, em formato Kindle, são:

Craig G Bartholomew, Ecclesiastes (Baker Commentaries on the Old Testament Wisdom and Psalms; Baker Academic / Baker Publishing Group, Grand Rapids, MI, 2009; e-book, 2013)

Peter Ens, Ecclesiastes (The Two Horizons Old Testament Commentary; Wm B Eerdmans Publishing, Grand Rapids, MI, 2011)

Se alguém tiver mais sugestões, por favor, deixem como comentário ou me enviem para edu@chaves.im. Obrigado.

Em São Paulo, 24 de Setembro de 2013

“Is Ecclesiastes a Misfit?”

Meu pedido de ajuda, na forma de sugestões, ideias, bibliografia acerca de Eclesiastes já começa a surtir efeito.

Uma das indicações que recebi (de meu amigo Enézio Eugênio de Almeida Filho) foi de um artigo, com o título acima, de Roy B. Zuck, Vice-president for Academic Affairs and Professor of Bible Exposition, Dallas Theological Seminary, Dallas, Texas, publicado em Bibliotheca Sacra 148 (January-March 1991) 46-56.

Tomo a liberdade de citar o início do artigo, porque ele coloca bem a problemática posta pelo conteúdo de Eclesiastes.

“Through the centuries many people have questioned whether the Book of Ecclesiastes belongs in the biblical canon, and especially in the wisdom corpus. Since it seems to underscore the futility and uselessness of work, the triumph of evil, the limitations of wisdom, and the impermanence of life, Ecclesiastes appears to be a misfit.

Because it apparently contradicts other portions of Scripture and presents a pessimistic outlook on life, in a mood of existential despair, many have viewed it as running counter to the rest of Scripture or have concluded that it presents only man’s reasoning apart from divine revelation.

Smith wrote, “There is no spiritual uplift embodied within these pages. … Ecclesiastes … accomplishes only one thing, confusion. Reason is elevated throughout the whole work as the tool with which man may seek and find truth.” [1]

Scott affirms that the author of Ecclesiastes “is a rationalist, a skeptic, a pessimist, and a fatalist. … In most respects his view runs counter to his religious fellow Jews.” [2]

Crenshaw speaks of the “oppressiveness” of Ecclesiastes, which conveys the view “that life is profitless; totally absurd.” [3] Since “virtue does not bring reward” and since God “stands distant, abandoning humanity to chance and death,” this book, Crenshaw asserts, contrasts “radically with earlier teachings expressed in the book of Proverbs.” [4]. “Qoheleth [the author] discerns no moral order at all,” [5] for “life amounts to nothing.” [6] 

NOTES

[1] L. Lowell Smith, “A Critical Evaluation of the Book of Ecclesiastes,” Journal of Bible and Religion, 21 (April 1953): 105.

[2] R. B. Y. Scott, Proverbs, Ecclesiastes, The Anchor Bible (Garden City, NY: Doubleday & Co., 1965), p. 192.

[3] James L. Crenshaw, Ecclesiastes: A Commentary {Philadelphia: Westminster Press, 1987), p. 23.

[4] Ibid.

[5] Ibid.

[6] Ibid., p. 34.

* This article is adapted from Roy B. Zuck, “A Biblical Theology of the Wisdom Books and The Song of Songs,” in Biblical Theology (Chicago: Moody Press, forthcoming [in 1991]).

Em 24 de Setembro de 2013

Um Breve Comentário sobre Eclesiastes: Um Projeto . . .

Estou pensando seriamente em escrever um breve comentário sobre o livro de Eclesiastes do Antigo Testamento, dirigido a leigos, não a pastores e teólogos.

Além do conteúdo do livro, em si, interessam-me as questões hermenêuticas que o livro coloca para judeus e cristãos, pois é um livro atípico, escrito por alguém que está totalmente desiludido da vida, que não vê nenhum sentido nela, e que parece achar que Deus está se lixando para o fato. E, entretanto, o livro é parte integrante do cânon tanto judeu como cristão.

A tendência da hermenêutica judaico-cristã tem sido fazer de conta que Eclesiastes (junto com Provérbios e Cântico dos Cânticos) entrou meio que por acaso no cânon e pode ser ignorado com impunidade.

Eu discordo dessa postura. Acho que a mensagem de Eclesiastes precisa ser levada a sério, e as questões hermêuticas que o livro levanta mais ainda! Quero enfrentar o desafio — pegar o peão na unha, como se dizia. Já estou bem munido. Andei comprando vários livros e comentários sobre Eclesiastes no Kindle. Carinhos, mas valeram (estão valendo) a pena.

Este é o meu livro favorito da Bíblia. Para se ter uma ideia, de 23 de Agosto (quando o redescobri) até hoje, um mês, eu o li várias vezes, e o fiz em Português, Inglês e Espanhol. No caso do Português, usando traduções diferentes.No caso do Inglês, usando uma tradução parafraseada de que gosto muito. . .

É um livro curto: só 12 capítulos, alguns, como o último, curtinhos. . . À primeira vista, parece ter dois autores: um que faz a apresentação do autor principal, no primeiro capítulo, e dá um fechamento, no último, e alguém que escreve o miolo: os capítulos 2 a 11 e uma parte do primeiro e do último.

O miolo principal do livro é apresentado como tendo sido escrito pelo Rei Salomão, filho de David. Mas a maior parte dos analistas duvida disso.

Se alguém tiver algum material, ou indicação bibliográfica, ou ideia, ou sugestão, pode me enviar no meu e-mail privado ao qual se vinculam minha conta do Facebook e este blog: edu@chaves.im. Ou pode deixar um comentário aqui no blog.

Em São Paulo, 24 de Setembro de 2013

A Sabedoria de Eclesiastes. . . (Meus versículos favoritos)

[Exceto onde indicado (quatro citações), no restante foi usada a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH).]

“Procurei descobrir qual a melhor maneira de viver e então resolvi me alegrar com vinho e me divertir. Pensei que talvez fosse essa a melhor coisa que uma pessoa pode fazer durante a sua curta vida aqui na terra” (Eclesiastes 2:3). 

“Eu me arrependi de ter trabalhado tanto e fiquei desesperado por causa disso. A gente trabalha com toda a sabedoria, conhecimento e inteligência para conseguir alguma coisa e depois tem de deixar tudo para alguém que não fez nada para merecer aquilo. Isso também é ilusão e não está certo!” (Eclesiastes 2:20-22).

“Então entendi que nesta vida tudo o que a pessoa pode fazer é procurar ser feliz e viver o melhor que puder” (Eclesiastes 3:12).

“Todos nós devemos comer e beber e aproveitar bem aquilo que ganhamos com o nosso trabalho. Isso é um presente de Deus”  (Eclesiastes 3:13).

“É melhor ter pouco numa das mãos, com paz de espírito, do que estar com as duas mãos sempre cheias de trabalho, tentando pegar o vento. Descobri que na vida existe mais uma coisa que não vale a pena: é o homem viver sozinho, sem amigos, sem filhos, sem irmãos, sempre trabalhando e nunca satisfeito com a riqueza que tem. Para que é que ele trabalha tanto, deixando de aproveitar as coisas boas da vida? Isso também é ilusão, é uma triste maneira de viver” (Eclesiastes 4:6-8).

“Se faz frio, dois podem dormir juntos e se esquentar; mas um sozinho, como é que vai se esquentar?” (Eclesiastes 4:11).

“Tenha cuidado quando for ao Templo.  . . . Vá pronto para ouvir e obedecer a Deus. Pense bem antes de falar e não faça a Deus nenhuma promessa apressada . . . Fale pouco. Quanto mais você se preocupar, mais pesadelos terá; e quanto mais você falar, mais tolices dirá. . . É melhor não prometer nada do que fazer uma promessa e não cumprir” (Eclesiastes 5:1-5).

“Então cheguei a esta conclusão: a melhor coisa que uma pessoa pode fazer durante a curta vida que Deus lhe deu é comer e beber e aproveitar bem o que ganhou com o seu trabalho. Essa é a parte que cabe a cada um” (Eclesiastes 5:18.

“Se Deus der a você riquezas e propriedades e deixar que as aproveite, fique contente com o que recebeu e com o seu trabalho. Isso é um presente de Deus. E você não sentirá o tempo passar, pois Deus encherá o seu coração de alegria” (Eclesiastes 5:19-20).

“Uma coisa é certa: quanto mais falamos, mais tolices dizemos; e não ganhamos nada com isso”.(Eclesiastes 6:11).

“Quem só pensa em se divertir é tolo; quem é sábio pensa também na morte.” (Eclesiastes 7:4).

“É melhor ouvir a repreensão de um sábio do que escutar elogios de um tolo” (Eclesiastes 7:5).

“Não existe no mundo ninguém que faça sempre o que é direito e que nunca erre” (Eclesiastes 7:20).

“Estou convencido de que devemos nos divertir porque o único prazer que temos nesta vida é comer, beber e nos divertir. Podemos fazer pelo menos isso enquanto trabalhamos durante a vida que Deus nos deu nesta terra” (Eclesiastes 8:15).

“Só os vivos têm esperança. É melhor ser um cachorro vivo do que um leão morto!” [Eclesiastes, 9:4; tradução A Bíblia Viva.]

“Enquanto você viver neste mundo de ilusões, aproveite a vida com a mulher que você ama. Pois isso é tudo que você vai receber pelos seus trabalhos nesta vida dura que Deus lhe deu.” (Eclesiastes 9:9).

“Eu descobri mais outra coisa neste mundo: nem sempre são os corredores mais velozes que ganham as corridas; nem sempre são os soldados mais valentes que ganham as batalhas. Notei ainda que as pessoas mais sábias nem sempre têm o que comer e que as mais inteligentes nem sempre ficam ricas. Notei também que as pessoas mais capazes nem sempre alcançam altas posições.Tudo depende da sorte e da ocasião” (Eclesiastes 9:11).

“Se alguém colocar moscas mortas num vídeo de perfume, ele acabará cheirando mal! Assim, um pequeno erro pode destruir muita sabedoria e honra.” [Eclesiastes, 10:1; tradução A Bíblia Viva].

“Quem fica esperando que o tempo mude e que o tempo fique bom, nunca plantará, nem colherá nada”. (Eclesiastes 11:4).

“Se você esperar que tudo fique normal, jamais fará qualquer coisa”. (Eclesiastes 11:4; tradução A Bíblia Viva.)

“É maravilhoso viver! Ver a luz, o sol! Se uma pessoa chegar à velhice, deve se alegrar em todos os dias de sua vida. Mas se deve lembrar também que a eternidade é muito mais comprida; quando se compara a vida com a eternidade, o que fazemos aqui não vale nada!” [Eclesiastes, 11:7-8; tradução A Bíblia Viva.]

Em São Paulo, 23 de Setembro de 2013

Revisto e ampliado em Salto, 12 de Junho de 2015

Revisto em Salto, 14 de Março de 2017

Olhai os lírios do campo. . .

“Não andeis preocupados com a vida pelo, que haveis de comer, nem com o corpo pelo que haveis de vestir. Pois a vida é mais que o alimento e o corpo mais que a roupa. . . .  Qual de vós, por mais preocupado que esteja, pode acrescentar um cúbito à sua estatura? Se pois, não podeis fazer nem as coisas mínimas, porque vos preocupais pela outras? . . . Não procureis, pois, o que comereis ou bebereis, nem vos preocupeis, porque os homens do mundo é que procuram todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisas delas.”

(Jesus de Nazaré, conforme Lucas 12:22-30)

Nunca imaginei que eu, um cara ansioso e preocupado, um dia estaria citando isso. . .

Em São Paulo, 23 de Setembro de 2013.